Negociações do Orçamento decorreram de forma “muito construtiva”


O primeiro-ministro e líder socialista, António Costa, considerou hoje que as negociações com os parceiros parlamentares que apoiam o Governo – BE, PCP e PEV -, tendo em vista o Orçamento do Estado para 2018, decorreram de forma “muito construtiva”, assegurando que “pelo terceiro ano consecutivo” o país possa prosseguir uma política de crescimento, criação de emprego e boas contas públicas.

“Decorreram de uma forma muito construtiva, como aliás tinha acontecido em 2016 e tem acontecido em 2017, assegurando que o país tenha um terceiro ano consecutivo de uma política orçamental que aposta no crescimento, na criação de emprego, tendo ao mesmo tempo finanças públicas sãs”, afirmou António Costa, em Lisboa, falando à margem do lançamento do Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050, que teve lugar na Culturgest.

O chefe do Governo remeteu informação mais detalhada sobre a proposta orçamental do Executivo para sexta-feira, quando o documento será apresentado, depois de aprovado no Conselho de Ministros de amanhã.

“Na sexta-feira, o Orçamento será apresentado, altura em que teremos uma resposta completa aos vários temas em matéria orçamental”, referiu, acrescentando ser “extemporâneo comentar medidas parcelares”, uma vez, salientou, que o documento “vale como um todo”.

“O Orçamento assegurará certamente a continuidade das boas políticas que tão bons resultados têm estado a dar dos pontos de vista da economia, da criação de emprego e da consolidação das finanças públicas, tendo em vista a redução da dívida”, sublinhou.

Sobre as condições colocadas pelos diferentes partidos para viabilizarem a proposta orçamental, António Costa salientou que “não há exigências”, mas um trabalho conjunto que tem vindo a ser prosseguido.

“Há um programa de Governo, há um conjunto de posições conjuntas e há a necessidade de fazermos aquilo que as empresas e as famílias fazem, que é, relativamente aos objetivos que temos, como conseguimos ajustá-los aos recursos que podemos dispor”, explicou.

O líder do Executivo referiu ainda que o crescimento da economia, que tem sido “robusto”, oferece “uma margem de conforto importante”, embora tendo sempre presente, como alertou, “um esforço de consolidação orçamental que temos de prosseguir”.

Bloco central? O país precisa de escolhas e alternativas

António Costa foi também questionado pelos jornalistas sobre o processo de sucessão na liderança do PSD, salientando que deseja aos dois candidatos já conhecidos (Rui Rio e Pedro Santana Lopes) “as maiores felicidades” e que é importante para a democracia que haja uma oposição forte.

“Tenho muita experiência de trabalho com os dois. Tenho a certeza de que, com qualquer nova liderança do PSD, será possível falarmos normalmente e trabalharmos em torno de estratégias que transcendem o horizonte das legislaturas, como o Portugal 2020. Já disse que desejava um acordo político alargado na Assembleia da República, designadamente ao nível de investimentos em infraestruturas”, apontou.

“Mas é evidente que, nos próximos tempos, o PSD estará mais concentrado sobre si próprio e o Governo terá de continuar concentrado no que lhe compete: Resolver os problemas dos portugueses e governar Portugal”, acrescentou.

No entanto, e apesar de ver com bons olhos a existência de consensos alargados em questões estratégicas, António Costa vincou fazer pouco sentido a ideia de um Bloco Central, defendendo que o país precisa de escolhas e alternativas.

O primeiro-ministro lembrou os exemplos que se observaram em diversos países europeus, onde as diferentes propostas políticas se diluíram em grandes coligações indiferenciadas, sendo que “o resultado foi sempre o enfraquecimento dos espaços das forças governativas e a emergência de focos de radicalização”.

“Prefiro que os portugueses tenham sempre escolhas claras em relação aos diferentes caminhos alternativos”, reforçou.

A este propósito, António Costa deu a atual solução política de Governo em Portugal como um bom exemplo de abertura ao diálogo e afirmação de uma solução política “original” e que foi capaz de oferecer aos portugueses um caminho alternativo claro.

“Partidos durante anos excluídos daquilo que se designa como arco da governação são hoje parceiros ativos na solução de Governo, na construção do Orçamento e podem ver presente nas marcas da governação as suas propostas”, concretizou.

In Acção Socialista Digital